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Saúde do homem: Para além do exame da próstata


26.11.2015

Por que tanta resistência ao cuidado? Este foi o tema da roda de conversa, realizada pelo Conselho Regional de enfermagem da Bahia (Coren-BA), na tarde desta quarta-feira (25), para, inicialmente, abordar as questões que envolvem o câncer de próstata. Contudo, a discussão foi além e trouxe reflexões em torno dos aspectos psicológicos, comportamentais e dos caminhos que levam ao cuidado com a saúde do homem. A atividade foi mediada por profissionais que atuam na pesquisa e no cuidado da saúde do homem.

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Psicólogo, professor e consultor, Bionor Brandão.

O psicólogo, professor e consultor, Bionor Brandão, ao falar sobre o exame da próstata, a descoberta do câncer e o processo de aceitação pelo paciente ao descobrir a doença, traçou, de forma lúdica e com a participação da plateia, um panorama sobre o que é ser homem no Brasil. As questões levantadas levaram a um perfil de sociedade que aponta para uma cultura machista, afastando o homem do entendimento de seu corpo e dos cuidados com a própria saúde. Bionor disse que para falar sobre cuidado é importante “ouvir o que o outro tem a dizer a respeito do que está sendo dito por todos” e cuidar do desejo do outro. “Não adianta uma avalanche de informações se não tocarmos o sujeito no seu desejo, pois se ele não se sentir acolhido em suas particularidades nada disso vai funcionar”, afirmou.

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Médica Sônia Ribeiro.

A médica da Diretoria de Gestão do Cuidado (DGC) da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (SESAB), Sônia Ribeiro, também abordou a construção sociocultural para falar da falta de cuidados com a saúde do homem. A médica deu foco aos hábitos alimentares e ao atributo multifatorial do câncer de próstata, observando que o estilo de vida está diretamente associado ao surgimento da doença. A ingestão de hormônios, como os que estão presentes no leite de vaca; o consumo de alimentos industrializados ou com embalagens plásticas e longa vida e o consumo excessivo de açúcares foram amplamente tratados pela médica por, segundo ela, contribuírem com o surgimento do câncer. “Vamos ajudar a proteger a próstata nos livrando dos excessos”, disse. Ao falar sobre a política nacional para a saúde do homem, o cuidado à diversidade de gêneros foi ressaltado. “Há múltiplas possibilidades de gêneros e essas pessoas precisam ser cuidadas”, observou.

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Enfermeiro Anderson Reis.

Finalizando os debates, o enfermeiro docente do Grupo de Estudos, Pesquisa e Extensão em Saúde do Homem na Faculdade Nobre, em Feira de Santana, Anderson Reis, abordou as razões para a resistência ao cuidado. O enfermeiro lembrou que não há uma estratégia única para buscar este cuidado e levantou um questionamento: “de que homem estamos falando?” Anderson lembrou que não há um modelo único de ser masculino e explicou: “existem múltiplas masculinidades e homens com uma motivação para o auto cuidado muito maior do que outros e por diversas razões, que podem envolver o acesso, o conhecimento, a introspecção, a aceitação. Estes aspectos dizem respeito à nossa formação, a nossa visão de mundo”, pontuou o enfermeiro. Anderson lembrou ainda que, culturalmente, o cuidado está associado ao feminino e se o homem cresce aprendendo que precisa negar o feminino, estas práticas de cuidado são afastadas dele em sua vida adulta.

A diversidade de gêneros foi novamente abordada quando o assistente social Ailton da Silva lembrou que as campanhas de prevenção ao câncer de próstata excluem os homossexuais, travestis e transexuais. Anderson Reis finalizou afirmando que é preciso refletir sobre o ideário de masculinidade, a partir do modelo de que o homem é um ser viril e inabalável. “É preciso pensar na pressão que vem por todas as partes: da família, da escola, dos grupos sociais, da mídia, dos empregadores e até dos profissionais de saúde”.

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Roda de conversa trouxe ampla abordagem sobre os aspectos que envolvem os cuidados com saúde do homem.
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